Intolerância

Quer saber o que é realmente absurdo? É a falta de tolerância das pessoas num país tido como um dos mais calorosos e receptivos do mundo... só se for pra gringo ver! Esse mesmo povo que pensa que estamos nos anos 70, em Woodstock, que prega o sexo livre todo fevereiro, tão aclamado pela convivência pacifica entre raças e culturas e que nos últimos tempos tem bradado (nos bares e nas esquinas, admito) contra a corrupção que agora ultrapassa os limites das grandes instituições e da política, para chegar até mesmo aos esportes e quem sabe famílias e que se revela também nos bastidores da aclamada 'Caixa Mágica' deixando boquiabertos os telespectadores com uma prática bastante antiga nesse mundo, esse mesmo povo que grita indignado com os ataques do PCC e com a brutalidade e banalidade com que eles tratam a vida, decidiu embrutecer e deixar de lado o coração tenro e amigável, dando lugar a um comportamento ABSURDAMENTE intolerante e radicalista. No lugar de mostrar com o seu voto a sua indignação com o que vemos, os baixos salários e o mínimo poder de compra, o abismo social que separa a classe miserável da classe AAA-ultramegahiperplus++, o nosso povo decidiu também partir pra briga, física, uns contra os outros. Ontem à tarde, quando ia feliz pra minha casa, entrei no metrô e quando o trem chegou, desceram muitas pessoas, o que atrasou um pouco a saída do trem. Então, quando todas as pessoas que não têm medo de cair nos trilhos e por isso passaram na minha frente conseguiram entrar, duas moças continuaram num papo amistoso e permaneceram obstruindo a porta, que se fechou sem que conseguíssemos entrar. Como elas deram aquele riso cínico de ‘ooops’ e continuaram seu papo, caminhei até a próxima área de embarque e fiquei aguardando o próximo trem. Finalmente entrei no vagão e na estação seguinte desci para que os outros passageiros pudessem descer. Novamente o embarque foi dificultado por gente apressada, mas entrei no vagão e enquanto aguardava que tais pessoas se ajeitassem, uma moça de uns 30 anos colocou as duas mãos nas minhas costas e me empurrou como se fosse um passe no basquete, dizendo ‘da licença’. É claro que eu praticamente voei sobre os outros passageiros e como o trem começava a andar não consegui fazer nada além de me segurar aonde desse até chegar à próxima estação que era a minha parada. Mas, amigos, isso não é nada... há 3 dias no Rio um vigia matou e esquartejou sua vizinha por causa de uma vaga na garagem. Que tirar carta que nada! Ainda prefiro as brigas do metrô.

Legião Urbana

Composição: Dado Villa-lobos, Marcelo Bonfá e Renato Russo

Vamos celebrar a estupidez humana
A estupidez de todas as nações
O meu país e sua corja de assassinos
Covardes, estupradores e ladrões
Vamos celebrar a estupidez do povo
Nossa polícia e televisão
Vamos celebrar nosso governo
E nosso Estado que não é nação
Celebrar a juventude sem escolas
As crianças mortas
Celebrar nossa desunião
Vamos celebrar Eros e Thanatos
Persephone e Hades
Vamos celebrar nossa tristeza
Vamos celebrar nossa vaidade
Vamos comemorar como idiotas
A cada fevereiro e feriado
Todos os mortos nas estradas
Os mortos por falta de hospitais
Vamos celebrar nossa justiça
A ganância e a difamação
Vamos celebrar os preconceitos
O voto dos analfabetos
Comemorar a água podre
E todos os impostos
Queimadas, mentiras e sequestros
Nosso castelo de cartas marcadas
O trabalho escravo
Nosso pequeno universo
Toda a hipocrisia e toda a afetação
Todo roubo e toda a indiferença
Vamos celebrar epidemias:
É a festa da torcida campeã
Vamos celebrar a fome
Não ter a quem ouvir
Não se ter a quem amar
Vamos alimentar o que é maldade
Vamos machucar um coração
Vamos celebrar nossa bandeira
Nosso passado de absurdos gloriosos
Tudo que é gratuito e feio
Tudo o que é normal
Vamos cantar juntos o Hino Nacional
A lágrima é verdadeira
Vamos celebrar nossa saudade
E comemorar a nossa solidão
Vamos festejar a inveja
A intolerância e a incompreensão
Vamos festejar a violência
E esquecer da nossa gente
Que trabalhou honestamente a vida inteira
E agora não tem mais direito a nada
Vamos celebrar a aberração
De toda a nossa falta de bom senso
Nosso descaso por educação
Vamos celebrar o horror
De tudo isso
Com festa, velório e caixão
Está tudo morto e enterrado agora
Já que também podemos celebrar
A estupidez de quem cantou esta canção
Venha, meu coração esta com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão
Venha, o amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera
Nosso futuro recomeça:
Venha que o que vem é perfeição...

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Meu Perfil
BRASIL, Sudeste, Mulher, de 20 a 25 anos, publicidade, evangélica
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